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  • 26.09.2017
  • Por Meu Agronegócio

Estradas do Brasil e logística da produção agrícola

estradas do Brasil

US$ 1,2 bilhão. Essa é a cifra anual que os produtores do estado do Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, perdem por dificuldades logísticas. O dado é do consultor de Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet. As estradas do Brasil são o principal caminho para escoamento, penalizando a cadeia produtiva com um alto custo.

Isso acontece pois o modal rodoviário é privilegiado em detrimento dos energeticamente mais eficientes, casos dos transportes hidroviário e ferroviário. O cenário acarreta um desperdício logístico da ordem de 5% do produto interno bruto nacional, algo em torno de R$ 100 bilhões ao ano.

Escoamento da produção agrícola

A questão é delicada também para o escoamento das demais commodities: a logística de transporte, no caso da cultura do milho, muitas vezes acaba tendo valor maior que o próprio produto. O transporte consome cerca de 35% do valor da soja, citada também pelo consultor da CNA.

Além disso, as estradas do Brasil são caracterizadas pela baixa manutenção, retratada por vias esburacadas em todas as regiões. Recentemente, uma situação entre produtores e transportadores ficou conhecida no resto do país: o atoleiro da BR-163, que liga o Mato Grosso ao Pará, levando a produção de grãos aos portos da região norte.

A situação segue, com a pouca oferta de terminais multimodais para o embarque das commodities no transporte ferroviário, as escassas opções de hidrovias e problemas estruturais enfrentados nos portos brasileiros. Enquanto a fronteira agrícola do país avança para o interior, a infraestrutura logística para escoamento não acompanha as necessidades de ampliação.

Transporte rodoviário e valor mínimo

Ponto recente discutido pelo Congresso Nacional, que afeta os custos de logística para a produção agrícola, é a fixação de preços mínimos para o transporte de cargas nas estradas do Brasil. O projeto de lei (PL) 528/15 foi aprovado pela Câmara dos Deputados em junho e, desde então, está disponível para análise do Senado.

Conforme a Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a proposta cria distorções e tem vícios de constitucionalidade. O PL 528/15 estimularia a ineficiência econômica e interferiria em um setor vital para o país, fazendo com que o aumento de custos e a perda de competitividade se propaguem por todos os setores econômicos.

Histórico das estradas do Brasil

Abrindo caminhos em diferentes regiões do mundo já nos séculos 17 e 18, as estradas do Brasil surgiram oficialmente apenas no século 19. O marco de implantação das rodovias no país é 1920, iniciando pela região nordeste. Em seguida, no ano de 1928, é inaugurada a primeira rodovia pavimentada, a Washington Luís, entre Rio de Janeiro e Petrópolis.

A malha rodoviária do país se estabeleceu até a década de 1970, quando começou período de maior degradação das estradas pavimentadas devido às dificuldades econômicas que diminuíram os aportes em manutenção e expansão por parte dos governos.

A partir dos anos 1990 e 2000, foram intensificados os programas de concessão de rodovias, com a cobrança de pedágio nas mesmas. A malha foi ampliada e recebeu mais cuidados, mas ainda apresenta expansão aquém das necessidades logísticas dos setores produtivos, como a cadeia do agronegócio.

Quer contribuir com o debate sobre as estradas do Brasil? Comente abaixo qual a situação do escoamento da produção agrícola em sua região.