• post
  • 31.08.2016
  • Por Meu Agronegócio

3 plantas daninhas que desafiam os herbicidas no Brasil

3 plantas daninhas que desafiam os herbicidas no Brasil

Não são apenas as doenças, fungos e insetos que atrapalham o rendimento das lavouras e elevam o seu custo de produção. Plantas daninhas se desenvolvem nas mesmas condições de culturas diversas, tomando recursos essenciais para o seu desenvolvimento. Para o combate, herbicidas entram em cena, mas a crescente resistência aos agroquímicos prejudica o manejo.

A resistência a herbicidas

Água, luz, nutrientes e até o espaço físico são disputados pela cultura plantada e as ervas daninhas. O resultado desse embate aparece na quebra de safra e prejuízos ao agricultor. Em todo o mundo, as perdas nas lavouras podem chegar a quase 100 bilhões de dólares ao ano, segundo estimativa da Organização das Nações Unidas.

No Brasil, o controle desse tipo de praga, com o monitoramento da evolução das populações e seu correto manejo, é o foco de trabalho da Associação de Ação a Resistência de Plantas Daninhas aos Herbicidas (HRAC-BR).

Segundo o vice-presidente para Assuntos Técnicos da entidade, Ramiro Ovejero, pesquisas buscam assegurar a maior vida útil dos herbicidas, sendo essa uma das ferramentas que integram o manejo integrado voltado à proteção da produtividade das culturas.

Os atuais estudos e trabalhos científicos focam em três plantas daninhas principais que, a partir de uma possível resistência a herbicidas, se colocam como desafios para a saúde das lavouras brasileiras. Saiba mais sobre leiteiro, pé-de-galinha e capim-amargoso:

Leiteiro – Euphorbia heterophylla

Também conhecida em diferentes regiões como leiteira, adeus-brasil, amendoim-bravo, café-do-bispo, café-do-diabo, flor-de-poeta e parece-mas-não-é. Se manifesta em culturas diversas, com alto grau de competitividade dos recursos.

O trabalho da HRAC-BR avalia a sua resistência ao herbicida glifosato no Rio Grande do Sul, sendo conduzido em parceria com a Embrapa Trigo e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Pé-de-galinha – Eleusine indica

É conhecida ainda por nomes como capim-da-cidade, capim-de-burro, capim-de-coroa-d’ouro, capim-de-pomar, capim-fubá, flor-de-grama, grama-de-coradouro, grama-sapo, pata-de-galinha e pé-de-papagaio. A cultura da soja é uma das principais vítimas.

A pesquisa da entidade sobre essa planta daninha se concentra na região do Cerrado, a partir de projeto desenvolvido com a Universidade de Várzea Grande (Univag), que busca avaliar a suscetibilidade de populações a herbicidas inibidores da ACCase (graminicidas) e ao glifosato coletados no Mato Grosso.

Capim-amargoso – Digitaria insularis

Capim-flexa, capim-açú, capim-pororó, capim-colchão, milhete-gigante e vassourinha são algumas das denominações populares da praga que atinge especialmente as lavouras de soja e de milho.

Em parceria com a Embrapa Soja, a HRAC-BR analisa a sua ecofisiologia, com o objetivo de identificar a capacidade de competição da planta daninha com as culturas. “As populações de capim-amargoso resistentes a glifosato têm crescido significativamente nas diferentes área agrícolas do Brasil”, destaca Ovejero.

Glifosato como parte do manejo

Alvo das atuais pesquisas do HRAC-BR, o glifosato é um dos herbicidas mais usados em todo o mundo há quatro décadas, presente em cerca de 160 países. No Brasil, possui registro e é comercializado por mais de 50 empresas. É considerado peça-chave no plantio direto, sistema que dispensa a movimentação do solo, prevenindo erosão e perda de umidade.

Para que o produto proteja as lavouras das plantas daninhas, a cultura precisa ser tolerante ao herbicida e a praga não pode ser resistente a ele. Nesse sentido, uma estratégia tem sido a recorrência a lavouras transgênicas tolerantes ao glifosato, capazes de garantir a produtividade e racionalizar o uso de defensivos.

Apesar disso, diferentes estudos têm identificado a redução de sua eficácia, com o aumento da resistência a ele, que pode estar relacionada a fatores diversos, incluindo aí intensidade de uso do herbicida e desobediência aos critérios na sua aplicação.

Dessa forma, o produtor rural pode recorrer a algumas boas práticas agronômicas que completam o manejo das ervas daninhas ao reduzir a pressão de seleção. Entre elas, estão:

. Rotação de culturas
. Associação de métodos de controle
. Utilização de herbicidas com mecanismos de ação diferentes.

Livro destaca herbicidas

O produtor rural que deseja ampliar seus conhecimentos sobre o tema pode acessar a quarta edição do livro Aspectos da Resistência de Plantas Daninhas a Herbicidas. A obra, que é considerada atual e didática, tem considerações de mais de 40 pesquisadores de institutos e empresas, incluindo colaboradores estrangeiros.

Segundo Thiago de Oliveira, presidente da HRAC-BR, ela traz uma compilação de informações sobre plantas daninhas resistentes a herbicidas, abordando ainda previsões em um cenário de baixa expectativa em relação ao lançamento de novos produtos.

E você, também é desafiado por plantas daninhas na lavoura? Comente!