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  • 31.08.2016
  • Por Meu Agronegócio

5 soluções para a deficiência em armazenagem de grãos

5 soluções para a deficiência em armazenagem de grãos

O mapa da agricultura brasileira continua se expandindo. Depois do Arco Norte, entre Rondônia e o Amapá, a chamada nova fronteira agrícola atende pelo nome de Matopiba, abrangendo estados do Norte e Nordeste. Mas a produção de grãos não se movimentou sozinha e trouxe com ela um antigo problema do país: o déficit em armazenagem e em estrutura logística.

Na avaliação de especialistas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), é em estados como Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia que a deficiência ou carência estrutural aparece de forma mais clara, com a insuficiência de espaços para armazenamento de grãos e condições inadequadas para o seu transporte.

A boa notícia ao produtor rural é que soluções existem para os variados portes de lavouras, não importa em qual região do país ela esteja instalada.

Onde armazenar a colheita: 5 alternativas

Produtores na Região Sul do país sentem menos os efeitos do déficit de armazenagem do que aqueles instalados no Arco Norte ou no Matopiba. Segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Alan Malinski, mesmo sem uma segunda safra na nova fronteira agrícola, é lá que os agricultores enfrentam as maiores dificuldades.

Para lidar com a defasagem e encontrar meios de armazenamento da colheita, ele relaciona algumas das alternativas disponíveis no país.
1. Financiamento

Lançado em 2013, o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) prometeu injetar no setor R$ 25 bilhões, sendo R$ 5 bilhões por ano, a uma taxa de juros inicial de 3,5%, três anos de carência e financiamento de 100% do projeto. Segundo Malinski, a medida teve impacto imediato, com significativo aumento no número de espaços para armazenamento da produção.

Atualmente, a busca pelo recurso caiu bastante, muito em razão dos aumentos nos juros, que subiram para 7,5%, depois 8,5% e hoje chegam a 9% ao ano. Ainda assim, segue como alternativa para quem deseja ter seu próprio armazém.
2. Construção de armazéns

Seja com recursos próprios ou via empréstimo, a construção de armazéns é opção que depende da capacidade financeira do produtor rural. Isso porque, além da estrutura, é preciso considerar os custos de manutenção, o que inclui pagamento de funcionário para gerenciar o espaço.

Apesar disso, Malinski entende que o investimento pode ser vantajoso, na comparação com a terceirização, para lavouras a partir de 500 a 1.000 hectares. “Acaba chovendo muito e o produtor tem pouco tempo para tirar a produção. Esse é um dos motivos para ter o armazém mais perto da lavoura e ele mesmo operar”, avalia.

3. Silo-bolsa

A estrutura pode ser usada em substituição ao armazém fixo, mas não é indicada quando há necessidade de grande capacidade de armazenamento. Conforme o assessor da CNA, é uma alternativa mais comum à chamada segunda safra, mantendo os grãos em boas condições por até dois anos. Em média, um silo-bolsa armazena cerca de 3.000 sacas – em torno de 200 toneladas.

Com baixo custo de investimento (em torno de R$ 1.500), empresas do setor estimam que esse tipo de armazenagem represente quase 10% da produção nacional de grãos estocados no Brasil – percentual que deve crescer nos próximos anos.
4. Cooperativas

A união de produtores em cooperativas para armazenagem de grãos é uma solução mais praticada no Sul e, não por acaso, é onde está o menor índice de defasagem, destaca Malinski. A escolha está relacionada também à maior presença de pequenas lavouras nessa região, às quais se beneficiam mais do armazém compartilhado.
5. Armazéns públicos

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mantém 91 armazéns públicos espalhados pelo país. A relação pode ser consultada no site do órgão, identificando o mais próximo por estado ou cidade.

Malinski diz que, nesses espaços, a deficiência é estrutural, já que muitos dos armazéns estão sucateados e precisam de reformas ou mesmo de substituição. Segundo ele, também há necessidade de novas construções, especialmente no Matopiba.

Armazenagem é problema nacional

Apesar de a defasagem no armazenamento de grãos aparecer de forma destacada na nova fronteira agrícola, o problema segue em todo o país. Em 2015, conforme a Pesquisa de Estoques, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve um déficit 58,5 milhões de toneladas de grãos.

Os 17.707 armazéns cadastrados junto à Conab responderam pela armazenagem de 152 das 210,3 milhões de toneladas previstas para o ciclo agrícola 2015 /16.

Deficiência também na logística

Mesmo o agricultor que não precisa de soluções de armazenamento pode enfrentar dificuldades com a sua produção. E elas aparecem na hora de transportar os grãos pelo país.

Segundo a assessora técnica da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, Elisangela Pereira Lopes, o avanço à nova fronteira agrícola tornou mais clara a deficiência de acesso aos portos por rodovias, ferrovias e hidrovias, além da carência de capacidade portuária.

Recentemente, a CNA elaborou documento ao presidente interino Michel Temer, propondo medidas essenciais para alavancar a infraestrutura logística, de forma a melhorar o escoamento de grãos no país e reduzir custos.

E você, como enfrenta os desafios da armazenagem e da logística? Comente!