• Crédito Rural
  • 29.10.2016
  • Por Meu Agronegócio

6 desafios para o crédito rural no Brasil

Ao planejar a próxima safra, o agricultor estima seus custos e vai em busca de dinheiro para viabilizar o plantio. Além de recursos próprios e da negociação de parcelamento junto aos fornecedores, há a opção de contratar crédito rural junto aos bancos. Mas isso nem sempre é fácil, já que alguns obstáculos dificultam o acesso ao instrumento financeiro.

Crédito rural: 6 desafios para o Brasil

 

O crédito rural pode ser contratado pelo produtor, cooperativa ou pessoa jurídica, sendo destinado para o custeio, investimento e comercialização de produtos agrícolas. Dessa forma, é um instrumento importante para o fortalecimento do setor, embora existam entraves que prejudiquem a sua contratação.

Fontes de recursos

 

Esse é o desafio chave do crédito rural no Brasil, segundo explica Ivan Wedekin, consultor do agronegócio e presidente da Câmara de Crédito, Seguro e Comercialização do Ministério da Agricultura (Mapa).

 

Atualmente, dois terços dos valores que financiam a operação vêm de duas fontes principais: 34% do saldo de depósitos à vista dos bancos e 74% do saldo da caderneta de poupança rural. Essa dependência vira um problema a partir do momento em que caem os depósitos à vista e crescem os saques na poupança. “Isso cria um cenário de maior dificuldade de destinação de crédito para a agricultura”, avalia.

 

Parte da solução veio com uma nova regra aos bancos que emitem LCA, as Letras de Crédito do Agronegócio. Desde a safra passada, eles devem aplicar em crédito rural 35% do valor relativo às emissões do investimento – o que representou R$ 15 bilhões de “dinheiro novo” para a modalidade.

Simplificação do crédito

 

A burocracia atrasa o financiamento da atividade rural. Wedekin considera que é mais difícil ao agricultor conseguir crédito para plantar do que comprar um carro. Se for recurso para investimento, por exemplo, pode demorar até seis meses para ter acesso ao dinheiro. Já para a aquisição de veículo, a liberação demora poucos dias – ou sai até mesmo na hora.

Política plurianual

 

Outro pleito do setor produtivo é ter o crédito rural previsto dentro de uma estratégia de política pública plurianual, fixando o orçamento não mais em um ano, mas em cinco, como ocorre na lei dos Estados Unidos. Dessa forma, o produtor poderia se programar melhor antes de plantar, elevando a previsibilidade e reduzindo a incerteza. Proposta aprovada no Senado e em tramitação na Câmara aborda o tema.

Custeio da propriedade

 

O crédito rural custeia a produção, mas há uma reivindicação entre os agricultores para que passe a financiar a propriedade e não a atividade. A proposta parte do entendimento de que quem planta soja pode também ter uma pecuária de leite ou ser suinocultor, por exemplo – característica que se beneficiaria de um financiamento integrado. “A ideia é ter um modelo de crédito mais abrangente, financiando o negócio do produtor como um todo”, afirma Wedekin.

Juros sob controle

 

A instabilidade na política econômica cobra o seu preço e a taxa básica de juros Selic, hoje a 14,25%, ajuda a moldar o cenário de incerteza. O agricultor que busca empréstimo sabe que pode perder dinheiro no futuro, a depender da variação do índice. Os desafios impostos pela volatilidade dos juros não afetam os concorrentes americanos, por exemplo, que encontram uma taxa baixíssima, girando sempre em torno de 1% ao ano.

Garantias

 

Para ter acesso ao crédito, o produtor rural pode dar como garantia a própria produção ou bens imóveis. No caso da terra, Wedekin lembra que há uma desvantagem para quem fez a contratação há mais tempo – 50 hectares valem hoje muito mais do que há 10 anos, por exemplo. Uma das atuais propostas prevê a criação de um fundo garantidor de crédito de investimento. “Mas é algo que não é simples e não vai estar pronto para a próxima safra”, comenta.

 

Como resultado de tantos desafios, Wedekin entende que a agricultura brasileira é prejudicada devido ao seu custo financeiro muito alto, com juros que criam um cenário de desvantagem competitiva, somados à carência de oferta de crédito, que nem sempre atende a todas as necessidades dos produtores. Um alento vem justamente da câmara temática que ele preside no Mapa, da qual se aguardam propostas e soluções.