• Perfil: Alexandre Andrade
  • 31.10.2016
  • Por Meu Agronegócio

Alexandre Andrade Lima: liderança entre produtores de cana

Alexandre Andrade Lima

Em 1987, Alexandre Andrade Lima se formava no curso de Engenharia Agronômica da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). No último ano de faculdade já começava a trajetória de produtor rural, que mantém até hoje, com 54 anos, seguindo a tradição de sete gerações da família no cultivo da cana-de-açúcar.

Lima também planta banana e tem algumas cabeças de gado em sua propriedade, mas a atividade principal é o cultivo da cana. De cerca de 750 hectares no município pernambucano de Vicência destinados à agricultura e pecuária, parte pertence à família e parte é arrendada. A produção atual de cana-de-açúcar é de 8 mil toneladas, e a expectativa para o próximo ano, com uma nova área a ser implantada, é de girar em torno de 12 mil.

União para superar a crise

Mais do que sua atuação como produtor, Lima se destaca pelo seu papel de liderança entre os produtores pernambucanos. Ele preside três importantes instituições do setor: a União Nordestina dos Produtores de Cana-de-Açúcar (Unida), a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (ASFP) e a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana).

Para ele, esse tipo de representação é fundamental para os plantadores de cana. “A organização de classe é bastante importante, principalmente no momento difícil. Se os fornecedores negociassem diretamente com as unidades industriais, sem entidades que defendam seus interesses, com certeza a dificuldade seria muito, mas muito maior”, garante.

O principal objetivo é conseguir benefícios no preço da cana, mas as organizações atuam inclusive em Brasília, defendendo os interesses dos produtores junto ao Congresso Nacional – o que, segundo Lima, tem sido fundamental para a sua sobrevivência.

Quando fala em “momento difícil” e em “sobrevivência”, Alexandre Andrade Lima faz menção à forte crise que o setor sucroalcooleiro enfrentou nos últimos anos, uma das maiores da sua história no país. Demissões, endividamentos e falências de usinas foram notícias comuns a partir de 2007.

Depois de vários anos ruins, a conjuntura externa virou e o setor começa a se recuperar. “Aqui nós já estamos em recuperação, com melhoras na condição econômica”, afirma Lima, que enxerga também boas perspectivas para as usinas sucroenergéticas, que enfrentam grandes dificuldades.

Uma das usinas que sofreram com a crise foi a Cruangi, localizada no município de Timbaúba. A indústria entrou em recuperação judicial e parou suas atividades por três safras. Para reerguê-la, Lima e outros se organizaram, em 2015, na cooperativa da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf), arrendaram o local (parceria prevista pelo período de oito anos) e administram a usina desde a última safra.

Em busca da produtividade

Como produtor altamente engajado, Alexandre Andrade Lima conhece bem a importância da atualização e do conhecimento para o agricultor. “Hoje, o produtor que não se modernizar e buscar maneiras de aumentar a sua produtividade está fadado a ter insucesso na sua propriedade. As entidades trabalham também nesse sentido”, afirma.

Uma das principais frentes de atuação das entidades conduzidas por Lima é buscar a aprovação da cana transgênica. “Já houve a primeira audiência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sobre o assunto. É um passo muito importante, porque possibilita dar um salto de produtividade”, comemora Lima.

A cana-de-açúcar geneticamente modificada foi desenvolvida pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) como uma alternativa mais resistente da planta. Para que sua comercialização seja liberada, ela precisa da aprovação da CTNBio, órgão colegiado multidisciplinar ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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