• Barter é opção para financiamento
  • 15.12.2016
  • Por Meu Agronegócio

Com crédito escasso, barter é opção para financiar a produção

Barter

Quando o produtor enfrenta dificuldades ao tomar crédito para financiar a sua produção, negociações alternativas ganham mais espaço. É o que está acontecendo com o barter, modalidade de compra de insumos e até de máquinas agrícolas que volta a ser bastante usada, em função do atual momento econômico.

O que é barter

Uma operação de barter é simplesmente uma permuta. De origem inglesa, a palavra significa “troca”. Ou seja, você adquire um item trocando por outro da sua produção. No agronegócio, o agricultor utiliza o barter quando paga os insumos agrícolas necessários para o seu trabalho com parte da sua colheita. Esse tipo de negociação é mais comum envolvendo commodities.

Na safra 2015/2016, pelo menos, já foi constatado que o barter passou a ganhar mais importância. É o que apontou a Sondagem de Mercado do Agronegócio do 2º trimestre de 2016, realizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e divulgada no dia 6 de outubro.

Segundo o estudo, na compra de fertilizantes no quarto trimestre de 2015 o barter correspondia a 8% das negociações. No segundo trimestre de 2016, esse número saltou para 14%. No caso da compra de defensivos agrícolas, a diferença foi de 7% em 2015 para 11% em 2016. Quanto às sementes, a comparação aponta 5% no ano passado e 12% das negociações feitas por meio de barter no segundo trimestre desse ano.

Além disso, as compras diretamente com a indústria caíram, enquanto transações por meio de cooperativas e revendas cresceram bastante. Para a Agência Indusnet Fiesp, o gerente do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro), Antonio Carlos Costa, afirmou que o resultado é o reflexo do cenário econômico no país e dos atrasos na liberação do crédito pré-custeio em 2015.

Driblando os juros altos

De acordo com o presidente da OCB, Márcio Lopes de Freitas, o aumento na procura de operações de barter por meio das cooperativas mostra que o sistema cooperativista está alinhado com as necessidades dos produtores rurais. Segundo ele, em um momento de crédito mais caro e escasso, o papel que essas instituições desempenham é fundamental.

O vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), Helio Sirimarco, afirmou, em depoimento para a equipe da SNA do Rio de Janeiro, o sistema é vantajoso porque funciona como “válvula de escape”. “No momento, o produtor rural quer driblar os juros altos, as dificuldades de crédito, e quer evitar os riscos das variações no câmbio e nas commodities”, explicou.

Para efetuar uma negociação de permuta, procure o representante comercial da empresa fornecedora. O barter é mais comum na troca de grãos por defensivos agrícolas – empresas como Bayer CropScience, Dupont Pioneer e Albaugh já estão acostumadas a operar dessa maneira –, mas recentemente a New Holland, do grupo Fiat, passou a fazer trocas com clientes na venda de tratores e colheitadeiras.

É comum, em operações de barter, que sejam utilizados como parâmetros os preços futuros da Bolsa de Chicago. Para firmar o compromisso, costuma-se emitir uma Cédula de Produto Rural (CPR), que representa a promessa de entrega dos produtos.

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