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  • Centro-Oeste
  • 26.09.2017
  • Por Meu Agronegócio

Desafios e oportunidades dos principais tipos de grãos

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Soja, milho, arroz, café, trigo e feijão são os principais tipos de grãos produzidos no Brasil. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os três primeiros respondem, sozinhos, por 94% da produção nacional de grãos – 48%, 41% e 5%, respectivamente.

Assim como diversas culturas agrícolas no país, os tipos de grãos mencionados acima apresentam uma série de desafios e oportunidades para produtores e toda a cadeia produtiva.

Safra 2016/2017 de grãos

De acordo com José Garcia Gasques, coordenador geral de Estudos e Análises do Ministério da Agricultura (Mapa), “a safra que praticamente está confirmada é a maior que o país já obteve”. As perspectivas para a safra de grãos de 2017 estão entre 238,2 milhões (Conab) e 242 milhões (IBGE) de toneladas.

A área colhida nesta safra é de 60 milhões de hectares, considerando as lavouras de verão e de inverno. “A produtividade é o principal fator responsável pelo aumento de produção de 27,7% neste ano. Como a safra de verão está quase toda colhida, são mínimos os riscos de mudanças climáticas como chuvas, geadas e secas”, explica o técnico.

Efeitos climáticos e números

O gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Conab, Cléverton Santana, complementa a contextualização. “Na safra 2015/2016, várias culturas foram impactadas por problemas de ordem climática, principalmente com relação a altas temperaturas e poucas chuvas. Já na safra atual, o comportamento foi diferente: desde o início as condições climáticas favoreceram o plantio, o desenvolvimento e a colheita da primeira safra.”

Conforme Cléverton, a segunda safra foi plantada na janela ideal e favorecida por precipitações que garantiram boa produtividade. A terceira safra, colhida até este segundo semestre, segue o padrão de crescimento. “O resultado foi uma produção estimada atualmente em 238,22 milhões de toneladas, cerca de 50 milhões de toneladas a mais do que a safra 2015/2016, que foi de 186,61 milhões de toneladas.”

Tecnologia, pesquisa e genética

Os principais tipos de grãos são de culturas tradicionais, com tecnologia consolidada no meio produtivo após décadas de experiência no cultivo. Isso garante níveis satisfatórios de produção. Soja, milho e arroz apresentam elevado conteúdo genético, o que garante resultados excelentes em produtividade.

Cléverson Santana afirma que o desafio, nessa área, é “continuar avançando a produção de grãos com ganhos de produtividades superiores ao ganho de área, como tem ocorrido nos últimos anos”. Para isso, é fundamental a garantia de fluxos de recursos para a pesquisa. Estudos têm mostrado que a tecnologia é um dos principais fatores de crescimento da produção.

“Segundo dados que temos, desde 1975 até 2015, quase 60% do crescimento da produção agrícola se deve a inovações tecnológicas”, destaca o coordenador geral de Estudos e Análises do Mapa.

O grande desafio, segundo ele, é continuar crescendo com base na tecnologia. Para isso, Gasques ressalta a importância dos investimentos dos setores público – em que a Embrapa tem atuação destacada – e privado em pesquisa agropecuária.

Área plantada e infraestrutura

“Um dos desafios que se tem no Brasil são os problemas de infraestrutura quanto a estradas, portos e comunicação no meio rural”, lembra José Garcia Gasques, referindo-se às melhorias necessárias para o escoamento da produção.

O técnico do Mapa lembra que as culturas soja, milho e café exigem produção em grande escala, com eficiência e tecnologia, para viabilidade comercial – diferentemente das atividades pecuárias, por exemplo, que possibilitam produção comercial em pequena escala.

Os investimentos em pesquisa têm permitido o conhecimento para a ampliação da área plantada nos diferentes tipos de região do país. Isso tem se mostrado principalmente no Cerrado, que apresenta grandes extensões de terra plana e com temperatura e luminosidade próprios para a cultura de diferentes tipos de grãos.

Oportunidades para os diferentes tipos de grãos

As plantações de soja, milho e arroz têm crescido no Brasil. Como fazem parte do grupo das commodities, esses tipos de grãos têm grande demanda global. No entanto, a produção brasileira enfrenta taxações no mercado internacional. Alguns países impõem barreiras comerciais como medidas protecionistas.

Por outro lado, os produtos brasileiros estão cada vez mais presentes, pois a produção agrícola do país é uma das maiores do mundo. “Importante destacar que o Brasil, devido à disponibilidade de terras, clima, água e capital humano, tende a tornar-se cada vez mais importante na produção mundial de alimentos e matérias-primas” sinaliza Gasques.

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