• Sementes
  • 23.08.2017
  • Por Meu Agronegócio

Desafios e oportunidades para as sementeiras brasileiras

sementeiras

O agronegócio é uma cadeia e, como tal, é necessário que todas as partes envolvidas estejam em equilíbrio para que o setor continue evoluindo. Isso inclui produtores, compradores e fabricantes de insumos. Mas também as multiplicadoras de sementes, empresas que são chamadas de sementeiras.

Segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), a venda de sementes movimenta R$ 10 bilhões anualmente no Brasil. É um mercado que cresceu muito nos últimos dez anos, mas cada vez mais demanda atenção especial. Afinal, sem sementes de qualidade não há como ter expectativas altas para a colheita.

Concorrência desleal

No final de julho, representantes da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass) se reuniram com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi. No encontro, foram expostas as queixas do setor.

Segundo nota da assessoria de imprensa da Abrass, o presidente da associação, Marco Alexandre Souza, reivindicou uma fiscalização mais efetiva para combater o crescimento do mercado pirata de sementes.

Enquanto as sementeiras pagam onerosos royalties às obtentoras – empresas que desenvolvem os cultivares através do melhoramento genético –, a produção pirata não tem esse custo e, portanto, rouba uma fatia do mercado por oferecer seu produto a um preço menor.

A competição vem também de outras frentes. Segundo Victor Griesang, diretor comercial da Sementes Tropical, empresas chinesas estão entrando forte no mercado. “Eles já vêm capacitados, com histórico na área e muito dinheiro, enquanto a gente tem que construir tudo do chão”, relata.

Além disso, Griesang lamenta a concorrência desleal por parte de algumas sementeiras. “Há empresas que, por um problema interno de fluxo de caixa, acabam fazendo uma condição especial e balizam o mercado por baixo, tornando as negociações com clientes muito difíceis.”

Complexidade na gestão é desafio para sementeiras

Segundo Francisco Krzyzanowski, pesquisador da Embrapa Soja e presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), a indústria de sementes tem procurado profissionais cada vez mais qualificados.

“Esses profissionais precisam saber como colher, como secar, como organizar a logística de distribuição da semente, ponto delicado e que influencia diretamente a qualidade do produto. Para transporte em longas distâncias, pode se perder a qualidade”, pondera.

Adaptar a gestão do negócio a essa complexidade crescente é o grande desafio para as sementeiras, segundo Griesang. Como consequência, o custo da semente para produtor aumenta, o que demanda outras formas de negociação. Trabalhar com crédito e barter, por exemplo, é mais uma adaptação que torna a atuação das multiplicadoras mais complexa.

Quanto à alta qualificação profissional exigida no mercado das sementeiras, Griesang explica que se deve à evolução do mercado. “Estão vindo muitas variedades novas, então precisamos de uma equipe técnica muito competente, porque o desafio é saber o que o cliente vai querer comprar para plantar na outra safra. Temos que estar sempre de 12 a 24 meses na frente”, revela.

Isso não significa apenas que o processo de seleção é mais rigoroso, mas que a Sementes Tropical está investindo muito na capacitação das pessoas. Para Griesang, esse é um caminho sem volta.

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