• Escoamento da produção
  • 15.12.2016
  • Por Meu Agronegócio

Escoamento da produção é um grande gargalo do agronegócio brasileiro

Escoamento da produção

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa inédita, que apontou como principais obstáculos para as exportações do país as dificuldades no escoamento da produção e problemas relacionados, como o custo do transporte, demora na liberação de mercadorias e tarifas portuárias.

A preocupação vale para todos os setores da economia, mas no agronegócio a questão é ainda mais problemática. Com o grosso da produção concentrada na região Centro-Oeste, longe do mar, os produtos agrícolas precisam atravessar o país, enfrentando as péssimas condições das estradas brasileiras.

Como é feito o escoamento da produção

A maior parte da produção agrícola brasileira é transportada por vias rodoviárias. Há também ferrovias e hidrovias, mas os trens e barcos desempenham um papel muito pequeno na comparação com os caminhões, o que é um grande problema.

Os veículos rodoviários têm pouca capacidade de armazenamento de carga, consomem mais combustível e são mais vulneráveis a perdas. Com tudo isso, o custo do frete rodoviário é bem maior do que o de outros modais.

E as condições das rodovias agravam o problema. A 20ª edição da Pesquisa CNT de Rodovias, divulgada em outubro pela Confederação Nacional do Transporte, constatou que 58,2% dos 103.259 km analisados apresentam algum tipo de problema no estado geral – condições do pavimento, da sinalização ou da geometria da via.

No caso das exportações, o caminho a ser percorrido é longo, uma vez que os principais portos utilizados para o embarque dos produtos agrícolas são o de Paranaguá, no Paraná, e de Santos, em São Paulo.

Arco Norte é alternativa para o Centro-Oeste

Esse modelo funciona para produtores das regiões sul, sudeste, do Mato Grosso do Sul e do sul de Goiás. Mas como ficam os agricultores do Mato Grosso, responsáveis pela maior produção do país?

A saída pode estar no fortalecimento da rota que leva a portos do Arco Norte – no Amapá, Pará, Maranhão e Bahia. Para Fernando Pimentel, sócio-diretor da AgroSecurity e AgroMétrica, a médio e longo prazo a realidade logística deve mudar no Centro-Oeste, com os projetos de ferrovias e hidrovias cruzando o cerrado.

De Sinop, no Mato Grosso, até Santos, são 2,1 mil km. Até Santarém, no Pará, são apenas  1,3 mil km. De lá, a carga entra em um navio, que percorre o Rio Amazonas até chegar ao Oceano Atlântico. Ali, já estará na metade do caminho entre Santos e o Canal do Panamá. O resultado é um custo muito menor por tonelada, economia importantíssima para o produtor de mercadorias de pouco valor agregado, como as commodities.

Outras soluções

Além dos investimentos nos portos do Arco Norte e nos caminhos que levam até eles, outras ações podem ser tomadas para melhorar a logística do escoamento da produção agrícola brasileira. Investimentos em ferrovias significariam uma grande melhoria na qualidade da locomoção e grande diminuição nos custos de transporte.

Outro gargalo está no armazenamento. Como o Brasil tem uma capacidade de estocagem pequena, a grande parte da produção é enviada para os portos logo após a colheita. O resultado são as filas imensas de caminhões esperando para descarregar nos portos, além da perda de oportunidades de negociação na entressafra.

Concorda com o artigo? Então compartilhe o conteúdo nas redes sociais. Se você tem observações sobre as estradas brasileiras e o escoamento da produção, deixe um comentário abaixo e contribua com o debate.