• Exportações de milho
  • 13.12.2016
  • Por Meu Agronegócio

Exportações de milho caem por conta de recorde americano

Exportação de milho

Quem trabalha com commodities está acostumado a ver o preço de seu produto flutuar constantemente, de acordo com uma série de variáveis, como o clima, câmbio, estoques e produção mundial. Essa conjuntura também torna volátil outros índices, como as exportações de milho, que podem estar boas em um mês e despencar no outro.

Foi justamente isso que aconteceu do mês de setembro para outubro de 2016. De acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as vendas do grão para o exterior recuaram 80% em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Foram 1,102 milhão de toneladas exportadas. De setembro para outubro deste ano, a queda é de 62,2%.

A surpresa se dá porque, no acumulado do ano, até setembro, o Brasil havia exportado 42,3% a mais de milho em grãos do que no período equivalente em 2015. Mesmo diante dos bons resultados, no entanto, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) já esperava uma forte diminuição nos embarques nos últimos meses do ano.

Concorrência americana prejudica exportações de milho

Um dos principais motivos para a queda nas exportações brasileiras de milho está na concorrência americana. A safra 2016/2017 dos Estados Unidos, cuja colheita está se encaminhando ao final, será um recorde absoluto. A expectativa do Departamento de Agricultura do país (USDA) é de superar os 380 milhões de toneladas de milho e 115 milhões de soja.

Sérgio Bortolozzo, presidente institucional da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), visitou recentemente o meio-oeste americano e constatou essa expectativa com seus próprios olhos. “É impressionante. Faz tempo que visito os Estados Unidos nessa época e nunca vi uma lavoura como a desse ano. E agora eles estão na fase crítica da colheita com condição boa para colher.”, conta.

Enquanto a safra americana superará a grande capacidade de armazenamento do país, os estoques brasileiros de milho continuam baixos. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do dia 2 de novembro, os estoques públicos do grão por aqui totalizam apenas 724,85 mil toneladas.

“Com isso, inclusive algumas tradings que tinham cargas a exportar acabaram pagando ‘wash out’ (multa por cancelamento de contrato) e deixando o milho aqui dentro”, lembra Bortolozzo. “O momento não era favorável, sem contar que o real está muito valorizado”, conclui.

Produção poderá cair na safra de inverno

Na opinião do presidente institucional da Abramilho, a safra de verão brasileira deverá ter uma produção semelhante à do ano passado. Ou seja, o problema de abastecimento não deverá ser superado ainda. Na safra de inverno, a opinião de Bortolozzo é de que haverá uma pequena queda. “Tenho impressão que para o ano que vem a gente vai tirar um pouco o pé”, diz ele, que espera 80 milhões de toneladas para a próxima safra.

Além da safra recorde americana, o que explica as baixas expectativas é a dificuldade que os produtores estão enfrentando para acessar o crédito. “Com a queda da economia, os bancos estão fazendo um processo seletivo e preferem não investir em regiões que tiveram problemas, como no sul, com excesso de chuvas e previsão de seca, e no norte e nordeste, onde pode ser que chova demais”, opina Bertolozzo.

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