• Algodão
  • Centro-Oeste
  • 23.08.2017
  • Por Meu Agronegócio

Panorama da colheita do algodão: preços, desafios e rentabilidade para o produtor

O Brasil está entre os cinco maiores produtores e os quatro maiores exportadores de algodão no mundo, conforme a Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa). Sendo um dos maiores consumidores mundiais, o país tem garantia de um mercado interno promissor e expectativa de recorde para a colheita do algodão em 2017.

O município de Primavera do Leste, no Mato Grosso, é responsável por 10% da produção do algodão brasileiro. Lá, está sediada a cooperativa de produtores Unicotton. Seu presidente, Alessandro Polato, destaca o clima favorável como fator determinante para o recorde de produtividade que deve ser alcançado no estado neste ano.

“Iniciamos agosto com expectativa de produtividade média em torno de 285 arrobas/hectare e a colheita passando de 50% da área cultivada na safra 2016/2017. Além disso, a qualidade da pluma segue excelente”, comemora.

Preços e rentabilidade

O valor da pluma segue tendência de baixa, movimento natural devido à maior disponibilidade de algodão no mercado. No entanto, 75% do algodão desta safra foram comercializados de forma antecipada. Os valores para contratos futuros estão pouco atrativos no momento.

No caso da Unicotton, conta Alessandro, 45% do algodão segue comercializado para o próximo ano. “A expectativa é de que a China volte a abastecer seus estoques e com isso o mercado se aqueça.”

Os custos de produção – “algo em torno de R$ 9 mil/ha”, frisa o presidente da Unicotton – são os fatores que mais demandam cuidados dos produtores. O valor faz da alta produtividade imprescindível para a sobrevivência na cultura.

“O investimento em pesquisa de novas variedades e ferramentas de manejo são vitais para assegurar o futuro. Hoje, uma semente de algodão carrega tanta tecnologia quanto um computador”, destaca o produtor.

Qualidade da fibra

A medição da qualidade da pluma a partir da colheita do algodão envolve processos de alto nível de precisão. Essa análise referenda a fibra e permite que a indústria adquira exatamente a matéria-prima de que necessita.

Temos um laboratório próprio na Unicotton. Isso permite que as características intrínsecas da fibra, tais como comprimento, resistência, uniformidade e outros atributos não medidos a olho nu, possam ser mensuradas.”

Mercado externo

A conquista de novos mercados e o aumento da participação onde o algodão brasileiro já está presente são grandes desafios. “Há poucos dias recebemos a visita de um grupo de industriais de vários países asiáticos: Coreia do Sul, China, Bangladesh, Paquistão e Turquia”, cita o produtor.

Alessandro dá mais detalhes. “É unanimidade entre eles que o Brasil é o único país no mundo onde é possível aumentar significativamente sua área para suprir a demanda por algodão de alta qualidade no mundo. Estamos no caminho certo para que nossa participação dobre de tamanho dentro de poucos anos.”

Os industriários de múltiplas nacionalidades visitaram a Unicotton durante a Missão Compradores 2017. “O respeito do produtor de algodão brasileiro pelas boas práticas ambientais e de sustentabilidade também foi mencionado por esses integrantes”, lembra Polato.

Colheita do algodão em MT

Esse ano, espera-se um aumento de 100 mil hectares na área plantada no Mato Grosso durante a safra 2017/2018, chegando a cerca de 725 mil hectares. O total é 16% maior que o cultivado na safra corrente – 2016/2017.

Alessandro Polato afirma que “essa perspectiva de ampliação da área algodoeira se deve, em parte, aos resultados obtidos na safra 2016/17 e a uma tendência não tão animadora em relação ao milho e à soja”. A previsão de que se repitam as mesmas condições climáticas deste ano também motiva os cotonicultores.

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