• Commodities
  • 28.08.2017
  • Por Meu Agronegócio

Panorama e perspectivas do mercado brasileiro de commodities agrícolas

commodities agrícolas

Com o plantio da soja prestes a iniciar no Centro-Oeste, aumenta a necessidade de bons parâmetros por parte dos produtores para embasar suas decisões. Entra aí o trabalho de consultores para traçar as perspectivas do mercado de commodities agrícolas para as próximas safras.

Além das questões climáticas, há outras variáveis – como o custo de produção, preço de venda e outras – que devem ser levadas em conta na hora de fazer as análises. É claro que imprevistos acontecem e qualquer conclusão antecipada corre o risco de não se confirmar, mas o planejamento das lavouras demanda a consideração de hipóteses.

Pouca chuva para as commodities agrícolas

Segundo Rafael Ribeiro de Lima Filho, consultor de mercado da Scot Consultoria, as perspectivas climáticas para a safra 2017/2018 da soja, em um primeiro momento, não são as melhores. “Os modelos climáticos mostram déficit de chuvas em relação à média histórica”, informa.

É uma situação inversa à encontrada na última safra, que teve boas chuvas no início do período, resultando em uma produtividade maior – enquanto a safra anterior foi complicada. O consultor ressalta que ainda é cedo para tomar essas perspectivas como definitivas, porém esse possível cenário deve ser considerado.

“É muito cedo para consolidar essas questões, nas próximas semanas as previsões devem ser atualizadas. Mas, a princípio, os meses de agosto, setembro e outubro tendem a ter menos chuvas. Então vale a pena ficar de olho”, recomenda.

Apesar disso, Lima Filho não acredita que a área plantada de soja cairá para dar lugar a outras commodities agrícolas. Por outro lado, o crescimento da área deve ser menor do que o observado na safra 2016/2017, ficando entre 1,5% a 2% na opinião do consultor.

Impacto do dólar na safra 2017/2018

Recentemente, por conta das boas perspectivas climáticas, a expectativa da safra americana aumentou, e a consequência imediata foi uma queda nos preços do grão no mercado, observada na Bolsa de Chicago. “Somando isso à questão climática no Brasil e ao recuo no câmbio, esperamos uma cotação mais baixa para o produtor brasileiro”, revela Rafael Ribeiro de Lima Filho.

Mas nem todas as notícias são ruins. Se por um lado a queda no dólar reduz a rentabilidade com a exportação da soja, os custos de produção também caem. O consultor afirma que, de acordo com as pesquisas feitas pela Scot Consultoria, a variação da moeda americana já se converteu em despesas menores na comparação com a safra passada.

Como o preço de boa parte dos insumos agrícolas está atrelado à moeda americana, Lima Filho crê que será observada uma queda de 2% a 5% nos gastos com fertilizantes, defensivos e outros insumos essenciais para a produtividade da lavoura.

Com relação ao milho, também entre as principais commodities agrícolas brasileiras, o consultor da Scot acredita que, na safra de verão, a área plantada deve seguir com redução, em contrapartida ao crescimento da soja.

“Na segunda safra, porém, não creio que vai reduzir a área, mas o crescimento não será tão grande quanto estávamos observando nos últimos anos, pois os preços voltaram aos patamares de 2014 e 2015, depois de uma alta em que a saca chegou a R$ 50”, conclui.

Concorda com as previsões para a próxima safra das principais commodities agrícolas? Deixe um comentário abaixo com a sua opinião.