• Fazendo história: Paulo Shimohira
  • 10.11.2016
  • Por Meu Agronegócio

Tradição familiar: Paulo Shimohira não desiste do algodão

Paulo Shimohira

O mercado não anda muito bom para os cotonicultores brasileiros, pelo menos na comparação com outras culturas mais lucrativas, como a soja – principal produto agrícola brasileiro. Apesar disso, agricultores como Paulo Shimohira não abrem mão de plantar o algodão.

O primeiro motivo é porque as máquinas agrícolas usadas no cultivo do algodão – “tudo comprado e pago” – não servem para outras culturas. “E a gente pensa muito no lado dos funcionários, porque o algodão ocupa mais gente em relação a soja e milho”, justifica o produtor.

Mas não é só isso – a tradição familiar também conta. “A gente gosta da cultura, meu pai veio do Japão para o estado de São Paulo em 1957, e veio plantando algodão com o grupo Maeda. Desde quando chegou, ele plantou um alqueire e meio de algodão na enxada”, conta.

Em 1971, Haru Yoshi, pai de Shimohira, comprou seu “primeiro pedacinho de chão” no município de Itumbiara, em Goiás, e começou o plantio. O filho nasceu em 1973, acostumando-se desde pequeno com a lida. “Sempre morei na fazenda, minha vida inteira foi perto de uma lavoura de algodão”, diz.

Quando foi estudar Agronomia em Viçosa, Minas Gerais, não se afastou da tradição familiar, pois estagiou em plantações de algodão. Hoje, além da terra em Itumbiara, a família tem uma terra arrendada na Bahia e recentemente adquiriu uma propriedade no Piauí – no total, são 16 mil hectares. Para a próxima safra, Shimohira planeja plantar 3,7 mil hectares de algodão, 11,2 mil de soja, 800 de milho e 557 de cana-de-açúcar.

Mercado de algodão

Mas por que, apesar de toda a tradição familiar, a maior parte das terras da família de Shimohira são destinadas ao cultivo de soja? “A gente está passando por uma fase não muito boa de preço de algodão, que está muito baixo”, conta o produtor, referindo-se aos três últimos anos e também às projeções para os próximos.

Segundo ele, cultivar algodão exige muitos insumos. “A semente do algodão está muito cara, devido a essas transgenias que as multinacionais colocaram. Ficou um custo muito elevado para um preço baixo, então, para equalizar a conta, você tem que produzir muito, sendo extremamente profissional e rezando muito para a chuva cair na hora certa”, elucida.

Organização é fundamental

Além da reza, o segredo para driblar as dificuldades é ter uma gestão muito eficiente, gastando pouco e vendendo pelo maior preço possível – ou seja, vendendo na hora certa. “Esse é um desafio constante, porque o mercado é muito volátil. Qualquer notícia sobre o clima nos Estados Unidos faz o preço subir, aí você diz que vai colher muito e o preço cai, se a China vai comprar o preço sobe, se a China está vendendo o preço cai”, exemplifica.

Apesar dos entraves, Shimohira usa o ditado “brasileiro não desiste nunca” e diz que a animação e confiança não podem faltar. A expectativa é de muitas chuvas no próximo ano, para que uma boa safra seja possível.

Mas não basta apenas torcer para condições climáticas e de mercado favoráveis. O trabalho de casa está sendo feito, segundo o produtor, que é tesoureiro da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e membro do conselho consultivo da Associação Goiana dos Produtores de Algodão (Agopa). Segundo ele, se essa organização entre os produtores por meio de associações fortes não existisse, o plantio de algodão no Brasil seria muito pequeno.

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