• Mulheres no setor
  • 31.08.2016
  • Por Meu Agronegócio

Perfil das mulheres no agronegócio brasileiro

Agronegócio brasileiro

Mulheres no agronegócio brasileiro: nova geração ganha espaço e busca capacitação

Popularmente visto como um segmento masculino, o ambiente rural vai mudando de cara pouco a pouco. De operadoras de máquinas a gestoras, as mulheres se destacam no agronegócio brasileiro com discrição, trabalho e orgulho pela lida no campo. Em comum, novas e antigas gerações conquistam espaço em busca de maior produtividade e lucratividade das propriedades.

 

O momento das mulheres no agronegócio brasileiro

O novo momento é percebido de forma positiva em iniciativas que servem de estímulo ao ingresso e à participação das mulheres no setor. À frente do Núcleo Feminino do Agronegócio (NFA), ligado à Sociedade Rural Brasileira, Teresa Vendramini preside um grupo de 25 produtoras rurais.

O termômetro da receptividade aparece nos convites para eventos diversos, nos contatos recebidos de todo o país e na própria atividade diária das integrantes do NFA. Segundo Teresa, apesar de o agronegócio ainda ser um universo majoritariamente masculino, de forma discreta, o público feminino conquista espaço e tem voz e vez na tomada de decisões do setor.

Mas ela salienta que não se trata de uma novidade. “A mulher sempre esteve no agronegócio”, garante Teresa, que administra fazendas no interior de São Paulo há sete anos. “Sou de família de fazendeiros, e minha avó, com mais de 80 anos, era quem mandava na propriedade, mas sem aparecer”.

A principal diferença para o atual momento, segundo Teresa, está nas razões que levam ao ingresso de mais mulheres no agronegócio brasileiro. Para a sua geração, lembra, não foi uma questão de escolha: “Tive que aprender a trabalhar com isso, a tocar um negócio, ser produtiva e lucrativa”. Agora, ela acredita que jovens estão motivadas a seguir a carreira rural por opção.

 

Nova geração em formação

Um bom exemplo sobre o movimento ao qual Teresa se refere está no Centro-Oeste, onde o Agro Mulher, projeto de extensão da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), em Cáceres, estimula alunas de Ensino Médio a buscarem a formação em Engenharia Agronômica.

Conforme sua coordenadora, a doutora em Agronomia Zulema Netto Figueiredo, docente na Unemat, a ideia iniciada há dois anos já apresenta resultados positivos tanto para universitárias quanto para alunas mais jovens, que ainda não iniciaram sua formação superior.

Parte desse último grupo encontrou no projeto a motivação para ingressar na carreira. Antes disso, afirma Zulema, muitas delas nem conheciam a realidade do campo e da profissão, mesmo morando em cidades onde a pecuária é um setor tradicional.

Já as estudantes da Unemat, em visitas às comunidades rurais, foram estimuladas a investir na profissão ao ver de perto a valorização do trabalho feminino no agronegócio, conhecendo mulheres atuantes em empresas do setor e até mesmo em associações de pequenos produtores na região.

 

Qualificação é etapa do crescimento

Tanto Teresa quanto Zulema entendem que a qualificação profissional é o caminho para que as mulheres conquistem ainda mais espaço no agronegócio brasileiro. Segundo a docente da Unemat, esse é o principal fator a explicar a evolução feminina no segmento, especialmente nos últimos 20 anos. “Hoje, as mulheres estão atuantes em todas as áreas do setor rural, desde a proprietária, gerente, pesquisadora, técnica até a operadora de máquinas, apesar de serem ainda minoria”, diz.

A presidente do NFA concorda. Em visita a uma fazenda no Mato Grosso do Sul, conheceu o time da propriedade e viu mulheres com orgulho de estarem ali. Para Teresa, além do interesse pelas formações em Agronomia e Medicina Veterinária, cursos e workshops de atualização profissional são etapas importantes.

Na mesma linha, Zulema acredita que, ao unir o maior grau de instrução e especialização com algumas características femininas, como persistência, perseverança, dedicação e certa resiliência, encontram-se as habilidades desejáveis para trabalhar na agricultura e na pecuária.

E para as alunas em dúvida, vai a dica da professora: apesar de a Agronomia ser uma área anteriormente considerada masculina, a formação oferece uma das melhores remunerações, podendo tornar possível a mudança social e econômica na vida dessas jovens.

No ano passado, levantamento do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) mostrou que os estagiários do curso de Agronomia recebem a maior bolsa-auxílio no país. Já após formados, conforme informações do Guia de Profissões, os salários vão de R$ 4 mil a R$ 12 mil.

 

Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio

A confirmação do crescimento da participação feminina no agronegócio pode se dar com a divulgação de pesquisa inédita no país, que traçou um raio-x do setor e cujos resultados serão apresentados no 1º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, agendado para São Paulo, em 25 e 26 de outubro. Confira a programação no site do evento.

E você, como você vê a participação das mulheres no agronegócio brasileiro? Deixe um comentário e conte a sua experiência!