• Fazendo história: Gilberto Pilecco
  • 01.11.2016
  • Por Meu Agronegócio

Tradição arrozeira: Gilberto Pilecco reforça importância do agronegócio para a alimentação

Gilberto Pilecco

O arroz compõe, com o feijão, a base da alimentação brasileira. O cereal também é muito consumido no resto do globo, com destaque para China e Índia, os países mais populosos do mundo. Aos 57 anos, Gilberto Pilecco orgulha-se de cultivar um produto que alimenta grande parte da população mundial.

Segundo o produtor, o arroz significa a segurança alimentar para o planeta. “Antes, a imprensa só dava atenção para o petróleo, para o pré-sal, e eu dizia que isso é alimento para a máquina. Nos últimos oito anos é que a mídia começou a falar na importância do agronegócio para alimentação, e eu sempre falei que antes de morrer veria isso”.

Sua propriedade fica no município de Alegrete, no Rio Grande do Sul, principal produtor de arroz do Brasil – segundo a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Federarroz), trata-se de 65% da produção brasileira. Apenas no estado e nos países vizinhos, conta Pilecco, é que há lavoura empresarial de arroz. Na Ásia, principal mercado consumidor, os arrozeiros são pequenos produtores.

Pilecco, que preside a entidade que representa os produtores da cultura no município, a Associação dos Arrozeiros do Alegrete, vem de uma longa tradição de arrozeiros. “Eu sempre produzi arroz. Meu vô era produtor, meu pai era produtor, minha família toda é de origem produtora. Meu bisavô veio da Itália e, quando chegou no Brasil, se cadastrou como ‘cultivador’”, conta.

Desafios para o setor

Pilecco planta 600 hectares de arroz, mas já plantou cerca de 840. “Em 2012 e 2013 eu sentia que o Brasil ia entrar em uma crise econômica”, afirma, justificando ter reduzido a área cultivada para facilitar a gestão durante a crise. Hoje, a produção gira em torno de 110 a 120 mil sacas.

Analisando a situação do setor a curto prazo, o produtor observa que o custo de produção está de R$ 45 a R$ 48 por saca, em função do alto preço dos insumos, combustível e energia elétrica. Por outro lado, com o El Niño e dificuldades na produção em todo o Mercosul, o preço de venda ficou estabilizado em torno de R$ 50 – acima dos custos, portanto.

Ainda a curto prazo, a sua grande preocupação é com o preço do dólar. O risco é o produtor custear sua produção com um dólar custando cerca de R$ 3,20, como hoje, e vender a colheita após uma queda da moeda americana, o que geraria grandes prejuízos.

Guerra tributária

Deixando de lado as questões de curto prazo, Gilberto Pilecco expõe a sua insatisfação com um problema crônico: a guerra tributária entre os estados brasileiros e entre os países do Mercosul.

“Nós temos um custo tributário alto no Rio Grande do Sul. Precisamos que nosso estado tenha arrecadação para nos dar segurança e educação, que recebemos, embora precária. Para isso, pagamos ICMS de 7 a 8%. No mercado globalizado, é muito custo”, explica, lamentando que, em função de acordos econômicos, o arroz produzido na Argentina, Uruguai e Paraguai entra no país com isenção de impostos.

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